Tendências – outono, primavera, verão, inverno -, alta costura, SPFW, flashes, cores, formas, fama, desfiles [...] tudo isso nos remete à um pensamento: MODA. Mas o que você entende por moda? (a palavra "moda" vem do latim modus, significando "modo", "maneira”). Consultando o Dicionário Aurélio – moda: s.f. Uso passageiro que rege, de acordo com o gosto do momento, a maneira de viver, de vestir etc. / Fantasia, gosto, maneira ou modo segundo o qual cada um faz as coisas. / Cantiga, ária, modinha. – a indústria vive uma fase que busca incorporar a moda dentro do seu conceito e produtos, mal sabem eles que a essência da moda vem dali mesmo, ao que eles próprios incorporam.
Moda deixou de ser sinônimo de futilidade há muito tempo, é um sistema que acompanha o vestuário e suas tendências de acordo com seu tempo, e integra o simples uso de roupas no dia-a-dia, sendo relacionada a um contexto cada vez maior: social, político, econômico e sociológico.
Fazendo uma análise cronológica do modo de se vestir das pessoas na década de 70 e 80, tende-se ainda a achar um denominador comum para o que as pessoas usavam na década de 90; essas tais mudanças, evoluções, sofisticações e novas tendências são que caracterizam a “moda”, e ela serve como reflexo da sociedade que está em volta.
Possa ser que hoje estejamos acostumados com um sistema que restringe a moda em desfiles, tendências e modismos, mas nem sempre foi assim. Acho que começou com o nascimento da burguesia (risos) – se não começou, foi responsável pela promoção de uma reviravolta.
Os burgueses naquela época almejavam tanto aparência mais próxima à dos nobres, quanto até o jeito de se portar, que por via dos acontecimentos, os nobres, ficaram descontentes em se parecer com esses plebeus “endinheirados”. Foi a partir daí que os código internos (etiquetas) e as regras de etiqueta foram criados, (com intuito de diferenciar a origem). A nobreza então caiu, os burgueses tornaram-se “donos do mundo”, mas a “moda da moda” pegou.
Quando pensamos em mundo globalizado, remetemos à idéia de “algo universal”, mas quando paramos para analisar, a moda atinge o mundo por inteiro, mas não é algo universal, tampouco é algo que já existe há muito tempo – tomemos como exemplo o Egito Antigo, seu vestuário não mudou nada dentre 3 mil anos.
A evolução acontece aos poucos, e não é diferente da moda. Ela não só passa atender às necessidades de afirmação pessoal, do indivíduo como membro de um grupo, mas como também a de expressar idéias e sentimentos.
Em minha opinião é raro encontrar grandes estilistas de época provoquem reviravoltas à título de revolução (risos), como Coco Chanel e Jean Patou, criaram roupas para grandes estrelas, nos anos 20 em Hollywood e revolucionaram o conceito de “moda” até então, em consequência disso fizeram história, ao que se reflete até hoje nos padrões formais de vestuários. Mas no Brasil temos ilustres destaques como: Jéssica Lengyel (Colcci), Napoleão Fonyat (Sandpiper), Francisco Costa (Calvin Klein) Priscilla Darolt (Animale), Tufi Duek (Fórum / Triton); dentre outros.
É difícil nos dias atuais encontrar um empreendimento estético que junta: objeto, imagem, desejo e prazer, tem como função resolver formalmente, em um nível imaginário, o padrão ético e moral da sociedade capitalista, uma vez que liga a beleza, o êxito e o viver na cidade. Novos olhares da moda, para sua função, são lançados e como principais dele é manifestação social, (vale ressaltar que o “Mercado Moda” está na moda! - R$, €, US$, ₨ (muitas rupias..hahaha) -.
A moda veicula sentidos que ultrapassam o gosto pela roupa nova e, a carga moral, ética e estética, que daí deriva; além de articular sentimentos que transpassam a vida de uma comunidade é capaz de gerar um número enorme de produtos, empregos e circulação monetária e isso precisa ser analisado e estudado com muito mais profundidade.

